“Tamo indo embora, meus amô, não chora!”

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_mg_7189Este ano nasceu o quinto espetáculo do Teatro Girandolá, uma obra diferente de tudo o que o grupo já havia feito. O Girandolá já atua na região de Francisco Morato há 09 anos, e sempre monta seus espetáculos com o intuito de dialogar e intervir na sua comunidade. Cada novo trabalho, apresentação, contato com grupos diferentes, e com novos públicos, faz com que a gente se renove e se repense. Foram 3 espetáculos seguidos, montados com temas densos, a violência contra a mulher, no “Aruê”, a luta indígena, no “Ara Pyau”, e a loucura, no “Juquery”, o que fez com que seus artistas também sentissem a necessidade de entrar em contato com universos mais leves, e junto a um desejo antigo de montar um espetáculo de rua, o grupo optou pela montagem de um espetáculo que fosse alegre, e que poetizasse o cotidiano da cidade, já tão embrutecido. Assim nasceram os Brincantes Ambulantes, que passeiam pelas ruas e espaços culturais, com uma intervenção que apresenta a poesia de maneira popular, com personagens que remetem os ambulantes e os vendedores de porta em porta. É um presente pra cidade, e pro Teatro Girandolá também.

As apresentações tem sido cada vez mais prazerosas, nos colocando em contato direto com os transeuntes, foram 15 apresentações neste ano, as últimas aconteceram ontem, no terminal de ônibus de Francisco Morato, na programação do CONPOEMA Recebe…, e hoje na confraternização do Complexo Hospitalar do Juqueri.

Ontem, a apresentação com certeza surpreendeu a todos, pela primeira vez fomos fazer uma ação no terminal de ônibus de Morato, a temperatura fria, o dia longo de trabalho, a rotina diária, estavam colaborando por demais em deixar as pessoas mais fechadas, somente ao poucos é que fomos conseguindo quebrar o gelo, sensibilizar aquela volta pra casa, tirar um sorriso, e ter encontros verdadeiros com cada um.

Não é todo dia que balões poéticos coloridos são distribuídos nas filas de ônibus, nem é sempre que enquanto esperamos, alguém nos pede uma lembrança de infância em troca de uma poesia, mas ainda bem que tínhamos muitas poesias para curar os males daqueles que já estavam ficando também embrutecidos. As músicas também trouxeram outro clima, fazendo com que todos fossem conectados novamente. Foi uma experiência incrível e certamente necessária para que pensemos todos em como estamos nos deixando mecanizar e muitas vezes perdendo as relações diárias com quem está a nossa volta.

Hoje, a brincadeira poética foi no Complexo Hospitalar do Juqueri, em Franco da Rocha, para os funcionários, pacientes e familiares, que estavam em festa de fim de ano. Pra nós é sempre muito especial apresentarmos para quem sempre nos acolheu com tanto carinho. Durante todo o ano tentamos abrir espaços de sensibilização, escuta e troca com os pacientes, e com muita brincadeira os sorrisos são tirados com muita facilidade, e a alegria é recíproca!

Foi um bom início de trabalho para os Brincantes Ambulantes, que em 2017 possamos estender ainda mais nossos passos, com mais trocas afetivas por onde passarmos!

“Tamo indo embora, meus amô, não chora, que o tempo é breve e o retorno não demora. Nosso corpo vai, a lembrança fica, se a saudade chega, a poesia multipilica”.

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Sobre o autor

27 anos, Francorrochense, Atriz, Produtora Cultural, Co-fundadora da Associação Cultural CONPOEMA, Feminista e Co-fundadora do coletivo Baciada das Mulheres do Juquery, vegetariana, divide a casa com seu cachorro Romeo e seu gato Fellini.

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