Se essa ponte fosse minha…

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_MG_7295Quem tem que atravessar a cidade de Francisco Morato durante a noite, pela passagem subterrânea da Ponte Seca, não sabe o que poderá encontrar lá dentro, por ser um ambiente muito escuro, e nesta última sexta-feira, nós estávamos lá dentro, em mais uma ação do projeto “Mitologias de uma ponte Seca”.

Muitas pessoas, antes de entrar, se benziam, e eu não sei se este era um ato corriqueiro, ou se era porque estávamos lá cantando e a princípio, sem saber o que era, eles se confundiam com algum tipo de atividade religiosa. Não sei, mas não foi só um ou dois que tiveram este mesmo comportamento, por isso acredito que todos queriam mesmo proteção pra passar por ali. E nós, estávamos lá, tentamos minimizar esse desconforto do trajeto. Estamos finalizando o projeto que dá origem ao espetáculo Sevirismo – os mais espantosos causos e descausos de uma ponte seca, e para fechar esse ciclo, realizamos a mesma intervenção que fizemos para abrir os trabalhos, nos oferecemos para acompanhar a travessia dos transeuntes, com velas para iluminar os caminhos, e música para espantar qualquer negatividade.

Se a princípio algumas pessoas se assustavam sem saber o que estava acontecendo lá dentro, quando percebiam o que era, se sentiam aliviados e agradecidos pela companhia.

Vimos muita gente apressada, muitos tropeços no chão desnivelado, muita gente se esbarrando, muita gente com medo, e gostaríamos que com essa e com todas as outras ações, pudéssemos chamar atenção, especialmente do poder público, para as condições deste lugar e para que pudessem realizar melhorias e oferecer um espaço digno de passagem. Mas desde que começamos, nada, ou, muito pouca coisa mudou por ali, há agora um telhado e uma lâmpada na entrada, mas por dentro, continua sem iluminação, e sem nenhuma reforma.

Quem por ali passa, sabe o quanto essas mudanças são urgentes, e nós, por meio da arte e do nosso trabalho, tentamos contribuir com isso. Foram 05 intervenções dentro do projeto contemplado pelo ProAC, e agora, nós estrearemos o espetáculo que homenageia este espaço da cidade, esquecido pelos governantes, mas tão significativo para a população, em sua história e identidade.

Saiba mais sobre a peça por aqui.

A estreia será no dia 22 de julho, às 16h, no calçadão da Ponte Seca, em Francisco Morato.

Outras informações: 4488-8524

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Sobre o autor

27 anos, Francorrochense, Atriz, Produtora Cultural, Co-fundadora da Associação Cultural CONPOEMA, Feminista e Co-fundadora do coletivo Baciada das Mulheres do Juquery, vegetariana, divide a casa com seu cachorro Romeo e seu gato Fellini.

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