Os mais espantosos causos e descausos de uma Ponte Seca

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_MG_7226O Teatro Girandolá acabou de completar 10 anos, o grupo tem como premissa realizar processos de construção de espetáculos de maneira colaborativa, a partir de pesquisas, criando textos autorais.
Suas pesquisas já passaram pelos campos históricos, mitológicos e poéticos, e na maioria de seus espetáculos, eles se fundem, para falar de temas que atravessem a sua realidade e dialoguem com a região que atua.
Seu mais novo espetáculo está nascendo após pouco mais de um ano de gestação, e será o sexto de seu repertório. O espetáculo “Sevirismo”, é o primeiro espetáculo de rua do grupo, e está tomando sua forma final, ele é fruto do projeto “Mitologias de uma ponte seca”, contemplado pelo ProAC editais, do Governo do Estado de São Paulo. Neste último domingo, o grupo realizou um ensaio aberto no parque Benedito Bueno de Moraes, em Franco da Rocha, há menos de um mês da estreia.
O espetáculo foi construído a partir de vivências na Ponte Seca, espaço emblemático da cidade vizinha, Francisco Morato, colhendo histórias do local e de seus moradores, e também das vivências e memórias pessoais, e por isso contempla as experiências das periferias de todo Brasil.
A base textual é alicerçada na literatura de Cordel, trazendo músicas e cenas divertidas para ajudar a transmutar as dores de um povo que luta pela sobrevivência diariamente.
O público logo se aglomerou na entrada do parque para ver o teatro: a façanha de fazer o tempo parar, de fazer toda gente olhar, de fazer rir e chorar! As crianças largaram os brinquedos e as famílias se reuniram para ver aqueles que eram vendedores ambulantes, prostitutas, e migrantes nordestinos, contando seus causos e descausos, mostrando suas batalhas, sua garra e alegria de viver, em meio à feiras, partos, e enchentes, forrós, violências, e o trabalho dessa gente.
Na plateia tinha pessoas de toda idade e de todo canto, que não só se divertiram, mas se reconheceram, se lamentaram com as mazelas e vibraram com as vitórias dos personagens.
Foi muito especial receber a devolutiva dos moradores de Franco da Rocha, e de pessoas que nunca foram à Ponte Seca, mas que disseram parecer conhecê-la, por ter muito da realidade dessa região, e de todos que estão à margem.
Essa obra é uma forma de homenagearmos a resistência dos moradores dessa região, e homenagear também o povo nordestino, a cultura popular e todos os grupos de teatro de rua, que sempre nos inspiraram. Confira abaixo as imagens:


Nós agradecemos a todos que compareceram, que conversaram conosco, e que nos ajudam a melhorar sempre nosso trabalho. Já queremos também convidar a todos para a estreia que será no dia 22 de julho, na própria Ponte Seca, em Francisco Morato, às 16h.

Outras informações: 4488-8524

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Sobre o autor

27 anos, Francorrochense, Atriz, Produtora Cultural, Co-fundadora da Associação Cultural CONPOEMA, Feminista e Co-fundadora do coletivo Baciada das Mulheres do Juquery, vegetariana, divide a casa com seu cachorro Romeo e seu gato Fellini.

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