Vem aí: Sevirismo!

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_MG_4407A Ponte Seca já foi cenário de grandes feiras livres, como a própria feira do rolo, e o calçadão em seu entorno, que hoje é repleto de lojas, vem, a cada dia mais, sendo retomado por barracas de camelôs e feirantes, voltando as suas origens. Muitos deles já nos conhecem pelo trabalho que estamos desenvolvendo desde o ano passado, pelo projeto do Teatro Girandolá“Mitologias de uma Ponte Seca”. Nossas experimentações cênicas sofrem sempre intervenções, com brincadeiras direcionadas aos atores e aos personagens, questionando, por exemplo, quando nascerá o bebê da grávida do espetáculo, ou zombando do modo como chegamos na cena. Esta divertida relação tem se estreitado cada vez mais, e neste último sábado decidimos fazer uma ação direcionada para estes trabalhadores, em cada uma de suas barracas e lojas.

Antes de chegar até lá, percorremos o trajeto que partiu do CIC, e pelo caminho, perguntávamos aos transeuntes se já estávamos próximos da Ponte Seca, uns ficavam intrigados com os personagens, tentando entender se aquilo era mesmo teatro, outros nos indicavam como chegar, pediam para tirar “selfies” e entravam no jogo, e nós causamos um grande alvoroço pelas ruas do centro de Francisco Morato.

Ao chegar na Ponte Seca, lá estavam nossos amigos, que pareciam já estar a nossa espera, de braços abertos e o sorriso de sempre no rosto, e de barraca em barraca, de porta em porta, fomos cantando a música que dá início ao nosso novo espetáculo “Sevirismo – os mais espantosos causos e descausos de uma Ponte Seca” – nome que demos há pouco tempo e que você que lê, está sabendo em primeira mão – com uma canção que retrata a característica de se encontrar de tudo naquele local, desde banana até parafuso.

Ao se reconhecerem nos trechos das músicas, eles se divertiam, se emocionavam, batiam palma, e até arriscavam cantar o refrão junto – porque, ô letrinha difícil, até pra gente! Alguns também mencionavam que tínhamos esquecido de colocar na letra da música o seu produto, como foi o caso de perfumes, ou também algo que até eles se espantam de ser vendido lá, como peixe vivo. Mas é claro que nós não conseguiríamos dar conta de colocar toda a variedade e singularidade que está na realidade da Ponte Seca, ela é muito mais complexa, e nós nos permitimos recriar esse espaço, a partir do nosso olhar, inventar novas possibilidades, e convidamos o público a também embarcar nessa nossa viagem, que como dizemos, contém “até um pouco de exagero, mas mentira não tem, não”.

E aproveitamos essa ação, para convidar aqueles que sempre estão ali trabalhando, para pararem um pouquinho para assistir, ou, para os que não estiverem trabalhando, que viessem para o nosso ensaio aberto, que acontecerá no próximo sábado, dia 03 de junho, e eles pareceram bastante entusiasmados, e depois da brincadeira toda, saímos de lá com muitas prendas, ganhamos frutas, pastel e refrigerante, como pagamento ao nosso trabalho, além de termos saído de lá com o coração ainda mais feliz.

Confira você também o nosso ensaio, que está na programação do Oxandolá [In]Festa 2017, e acontecerá lá na Ponte Seca, no próximo sábado, às 16h!

Estamos ansiosos para compartilhar mais este processo com vocês, é um momento muito importante pra nós, agradecemos a quem puder estar lá!

O projeto “Mitologias de uma ponte seca” foi contemplado pelo ProAC, programa da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo.

Outras informações: 44888524

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Sobre o autor

27 anos, Francorrochense, Atriz, Produtora Cultural, Co-fundadora da Associação Cultural CONPOEMA, Feminista e Co-fundadora do coletivo Baciada das Mulheres do Juquery, vegetariana, divide a casa com seu cachorro Romeo e seu gato Fellini.

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