Arte, diversidade e crítica social

0

O CONPOEMA Recebe… é um projeto que tem como objetivo a formação de público para as artes, em que a população de Franco da Rocha e região, entra em contato com a produção artística independente, do estado de São Paulo, especialmente do interior paulista, podendo experienciar um repertório cultural muito rico em linguagem estética.
Neste fim de semana, foi uma verdadeira demonstração do que estou dizendo, o Centro Cultural da cidade, recebeu duas obras incríveis, com grande potência artística, e esteticamente diversas.
Na sexta-feira, dia 31, o público conheceu as músicas envolventes de Shanawaara, que veio lá de Osasco, e que além de botar todo mundo para dançar e rebolar o popô, fazia uma forte crítica ao machismo que mata diariamente mulheres cis e _MG_0652transexuais, e atrofia os sentimentos e corpos de meninos e homens.
Durante o período de divulgação do evento, a Associação CONPOEMA, já vinha soltando vários vídeos para que o público conhecesse Shanawaara, que como em uma de suas letras diz “Será uma mina ou um cara?”, da música “Nenhuma das anteriores”. O evento teve uma repercussão muito positiva, trazendo a tona reflexões tão importantes e contemporâneas, sobre identidade de gênero.
O show foi maravilhoso, pois Shanawaara tem uma energia contagiante, e não deixa a peteca cair, dança, canta, interpreta, conta histórias, e dá muito close certo!
Após o show, muitas fotos ao lado da diva, e não parou por aí, ainda rolou um bate-papo sobre a nossa situação política, sobre o golpe e os rumos do Brasil. Vai pensando que só tem construção de pensamento no centro e nas universidades ou partidos! O Grande SP – World Tour propõe isso mesmo, a quebra dos paradigmas e estigmas, uma circulação realizada com recursos próprios do artista, que mostra que sim, quem rebola a bunda até o chão, também quer discutir o futuro do país, por que não?

IMG_7045No sábado, recebemos o grupo já parceiro de anos, Caravan Maschera, de Atibaia, que desenvolve um trabalho maravilhoso de manipulação de bonecos. Dessa vez, o grupo trouxe um espetáculo inspirado na obra de Graciliano Ramos.
Pela primeira vez, vi um espetáculo do grupo direcionado especialmente para o público adulto, mas os pais não deixaram de levar seus filhos, e na plateia haviam algumas crianças, e eu não pude deixar de observá-las. A obra com bastante densidade, personificou as imagens da fome, tanto na caracterização do cenário, trazendo adereços precários, quanto nos bonecos, com semblantes “horríveis”, como mencionou a minha sobrinha de 05 anos, que estava presente, com bonecos inspirados nas obras de Portinari, em “pele e osso”. O tamanho natural dos bonecos, impressionava, e nos aproximava ainda mais da obra, e nos provocava a entrar em contato com a miséria descrita por Graciliano. Esta apresentação fez parte do projeto de circulação do grupo, contemplado pelo ProAC, do Governo do Estado de São Paulo. O espetáculo sem falas, não procurou retratar a história integralmente, mas despertar os sentimentos que estão presentes na literatura.
O espetáculo assistido pelos presentes das várias faixas etárias, criou diálogos a partir das vivências de cada um, e que mesmo com pouquíssimas narrações de áudio, arrebatou até mesmo os pequeninos, que também pensaram a respeito da miséria que assolou a família de Fabiano, e assola a vida de muitos brasileiros. Não são temas que as crianças estão acostumadas a lidar, mas são importantes para a sua construção social.


Ao final, perguntei o que minha sobrinha tinha achado, e ela disse que tinha gostado, apesar de não querer ficar muito perto dos bonecos, ela falou sobre a necessidade que algumas pessoas passam, tendo que comer lixo, por exemplo, mas em outro momento, pediu que mudássemos de assunto. Ao final, ela pediu pra abraçar uma das manipuladoras, e ficou perguntando pra ela sobre elementos do cenário. Com certeza absorveu muitas coisas, ela, eu, e todos os outros que estavam lá, vendo a magnífica arte do teatro.

O CONPOEMA Recebe… é uma realização da Associação CONPOEMA, e nessa edição contou com o apoio da Secretaria Adjunta de Cultura de Franco da Rocha. As atividades acontecem sempre no primeiro fim de semana do mês, com entrada gratuita.

Mais informações: 44888524

Compartilhar.

Sobre o autor

27 anos, Francorrochense, Atriz, Produtora Cultural, Co-fundadora da Associação Cultural CONPOEMA, Feminista e Co-fundadora do coletivo Baciada das Mulheres do Juquery, vegetariana, divide a casa com seu cachorro Romeo e seu gato Fellini.

Deixe um comentário