Knots Nudos Nós transformando o mundo!

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capa knotsNo dia 15 de janeiro, cerca de 50 artistas nacionais e internacionais se juntaram e foram lá pra Mogi das Cruzes, viver e sentir a 4ª edição do Festival Internacional de Teatro Knots Nudos, surgido em 2011, em Berlim, criado por Christina Kyriazidi (Marinaio Teatro – Alemanha), Huilen Fente (In Teatro – Argentina) e Wout van Tongeren (Universidade de Amsterdã – Holanda). O propósito do Festival KNOTS.NUDOS é promover a cultura do teatro de grupo e de estabelecer nós/relações/vínculos entre grupos de teatro que existem em distintas partes do mundo e circunstâncias sócio-políticas. Criado também com a intenção de conformar uma “família de grupos”, capaz de transcender seus vínculos no tempo, encontrando continuidade a cada edição de KNOTS.NUDOS.

E nós, do Teatro Girandolá, chegamos em Mogi no dia 16, logo cedo, para prepararmos mais uma apresentação do espetáculo “Ara Pyau – Liturgia para o povo invisível”, esse nosso trabalho abriu a programação teatral do festival, e nós ainda não tínhamos noção da proporção desse evento e da importância que seria nossa participação nele. Antes da apresentação, já sabíamos que dois integrantes do nosso grupo ficariam em Mogi das Cruzes, durante os 15 dias do festival, eu e o Gil já tínhamos assumido a permanência com os demais artistas em Mogi. Eu também estava perdida, sem saber muito como seriam os dias, as dinâmicas de trabalho, a nossa criação coletiva e outras questões.

Mas mesmo sem saber como seria, fui para a casa que todos os artistas estavam e me juntei nessa empreitada, diferente de tudo o que já vivi nessa vida, eu estava numa casa com grupos da Argentina, Espanha, Peru, Bolívia, França e Itália e logo na primeira noite a mistura de diferente línguas me deixaram hipnotizada. No dia seguinte, vivenciei a segunda manhã de trabalho, num trabalho físico com alguns grupos que mostraram para todos seus treinamentos físicos. E assim foi, quarta, quinta e sexta com trocas intensas pela manhã e espetáculo teatrais à tarde e à noite, não tenho como mensurar a grandeza dos trabalhos que assisti, acho que não consigo expressar todo o aprendizado que tive apenas nesse texto, que não consegue (nem de longe!) transmitir o que senti nesse festival.

Também ainda estou digerindo tudo o que aconteceu. Mas posso afirmar que foi uma confluência cultural incrível! Um verdadeiro intercâmbio de linguagens, de modos de fazer e pensar o teatro, sobretudo o teatro de grupo. Uma troca contínua e orgânica que se deu quase que 24 horas por dia, por quinze dias, seja nos encontros matutinos que todos os grupos compartilharam um pouco de seus processos criativos, seja nos momentos informais ao lado da piscina, e na piscina, com sol o com chuva, nos passeios a pé, nas rodas de conversa, nas festas à noite na casa, em que cada um mostrava um pouco de sua cultura. Foi algo completamente novo e transformador pra mim. Sem precedentes

E todos estavam abertos, entregues para esse encontro, essa celebração e comunhão dessa arte chamada teatro. Todos chegaram com as cordas soltas, os fios incendiados para darmos NÓS.

Chegamos!
e com chuva
chuva
uma garoa insistente
que nos provou por dias

mas venceu o canto, a celebração
o rito a comunhão
nos enlaçamos
irmanados
na sonoridade latina
ali não havia fronteiras
a língua nunca foi barreira
gestos abraços olhares corpos
não precisam de tradução
e essa vibração
e se alastrou,
contaminou a todos
e encheu a casa
todas as noites

as cordas se ataram
para tecer rituais
por noites adentro
porque sempre há muitas
muitas pontas soltas
e é imperativo dar nós
entre um pós…
que o tempo suspende
como que para fazer durar mais
nosso estado de efêmeros
e outro pós!
seguimos dando mais nós
knots
nudos
ligando, conectando
apertando os primeiros nós
e são muitas as cordas que estão sós!

Além das vivências em conjunto e dos espetáculos teatrais, quase 50 pessoas viveram juntas durante 15 dias, esse foi o grande desafio desse festival e também uma ousadia por parte de todos os envolvidos, com um destaque para o grupo Impulso Coletivo que topou organizar o festival, junto com outros coletivos e espaços de Mogi das Cruzes. Diariamente, tinha muitas pessoas envolvidas com o festival e todas com uma tremenda vontade de trabalhar e empenhadas em resolver qualquer problema que aparecesse no caminho, nós artistas, fomos muito acolhidos na casa, nos espaços culturais e na cidade de Mogi das Cruzes.

Veja abaixo as belas fotos da nossa apresentação tiradas pela sensível Giulia Martins:
 Para ver mais fotos do Fetival acesse a página do Festival no Facebook:
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Texto por Mariana Moura e Gilberto Araújo

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Sobre o autor

27 anos, lésbica, feminista, atriz, fotógrafa, estudante de cinema e assistente de produção cultural. Integra a Associação Cultural CONPOEMA desde sua fundação. Acredita fortemente na coletividade, no ser humano e na força de luta das mulheres. Ama gatos, cachorros e não vive longe de seus avós, tia e sobrinhos.

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