Juqueri de coração aberto!

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_mg_6715Tivemos o enorme prazer em realizar a temporada do espetáculo “Juquery: memórias de quase vidas”, do Teatro Girandolá, dentro dos prédios do Complexo Hospitalar do Juqueri, em Franco da Rocha. Foram seis apresentações aos domingos entre os meses de novembro e dezembro, que finalizamos neste último dia 11.
A Rotunda, prédio que abrigou os pacientes em estado agudo em celas fortes, deu espaço para uma exposição, sobre o processo de construção do espetáculo, que se deu em maior parte a partir da convivência com os pacientes remanescentes. A exposição ficou carregada de emoções por mostrar os rostos de quem sempre esteve escondido, expor seus pensamentos e criatividade em forma de frases e desenhos, além de ter dado espaço para que o público tivesse contato com o íntimo dos artistas, as relações construídas, e os seus sentimentos diante da experiência vivenciada; agregando muito ao trabalho proposto.
Esta também foi uma grande responsabilidade para o grupo, por ter sido a primeira vez que o espaço recebeu uma temporada teatral, e neste caso, tratando da própria história deste hospital, como sabemos, cheia de percalços e estigmas. Mas ficamos imensamente felizes com o resultado, tivemos a sorte de ter o apoio da instituição, que neste momento também busca ressignificar os prédios e sua história, e que além de confiar em nosso trabalho, se fez presente com representantes em alguns dias de apresentações, colaborando muito nos debates, sanando dúvidas do público, em especial sobre as diferenças entre os tratamentos já utilizados anteriormente e os que são utilizados nos dias de hoje.
O hospital ainda possui cerca de 120 pacientes, mas o objetivo da equipe é dar condições para que ao máximo eles possam ser inseridos em outros tipos de residências, seja voltando para suas famílias, ou indo para residências terapêuticas.
Temos muito o que agradecer por esta grande oportunidade, ao público, que compareceu em todas as apresentações com lotação máxima, e que compreendeu a necessidade de termos esse número reduzido de ingressos. Em diversos dias tivemos pessoas que não conseguiram entrar, mas em muitas delas as pessoas ficaram até o final, esperando para ao menos participar do bate-papo com o grupo, e voltavam na apresentação seguinte para poder ver o espetáculo. Vimos muitos rostos conhecidos que já haviam assistido a outras temporadas, e também pessoas que assistiram por mais de uma vez nesta mesma temporada, voltando com mais amigos. Essa divulgação boca a boca, foi essencial para esse ótimo resultado.

Aqueles que não conseguiram assistir, como na última apresentação do dia 11, tivemos mais de 20 pessoas que precisaram voltar para suas casas por falta de ingresso, avisamos que com certeza terão outras oportunidades, pois este é um espetáculo que permanecerá em nosso repertório, e que estaremos sempre em busca de maneiras de viabilizar novas apresentações gratuitas.
A todos que colaboraram com doações em dinheiro em nosso chapéu, nossa gratidão, é sempre muito importante pra nós, mesmo que pareça uma pequena quantia, pois juntando aqui e ali, colabora muito para a manutenção de nossos equipamento, compra de alimentação pro grupo, etc.
E nosso agradecimento especial ao diretor do Complexo Hospitalar do Juquery, Glauco Cyriaco, que possibilitou essa nossa empreitada, e que sempre se mostrou disposto a colaborar com nosso trabalho, desde a primeira vez que o procuramos, ainda na montagem do espetáculo.
É muito gratificante ter o reconhecimento do nosso trabalho pela instituição e pelo público, e pela importância que este tema tem para região, no resgate da memória e na colaboração do fortalecimento do sentimento de pertencimento.
Que venham outras temporadas, e que a luta antimanicomial esteja sempre em pauta em nossas discussões, como bem lembrou nossa querida amiga e médica Andrea Amorim, presente neste fechamento de ciclo, precisamos estar atentos para que nunca retrocedamos nenhum passo sequer, e que não permitamos mais o violamento dos direitos das pessoas com transtornos mentais.

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Sobre o autor

27 anos, Francorrochense, Atriz, Produtora Cultural, Co-fundadora da Associação Cultural CONPOEMA, Feminista e Co-fundadora do coletivo Baciada das Mulheres do Juquery, vegetariana, divide a casa com seu cachorro Romeo e seu gato Fellini.

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