Ara Pyau na 10ª Mostra de São Miguel Paulista

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_MG_8419Na capital paulista, e em algumas cidades do interior, acontecia neste fim de semana uma grande efervescência cultural, com diversas apresentações de grandes nomes da cena artística na programação da virada, e nas bordas, também acontecia arte, realizada por quem durante todo o ano faz malabarismos para levar atrações pra sua comunidade e fazer um trabalho continuado, por quem anda na corda bamba pra continuar sobrevivendo, por quem vai fazer com grana ou sem, sabe como é, não é?

Ontem, dia 22, fomos com grande felicidade, até a zona leste de São Paulo, participar da 10ª edição da Mostra de São Miguel Paulista, realizada pelos guerreiros do grupo Buraco do D’oráculo.

A grande movimentação artística pelo bairro começou no dia 13 de maio, com a chegada de grupos de diversos estados, como Ceará, Goiânia e Rio de Janeiro, para a programação, que neste ano foi contemplada pelo ProAC.

Ontem, já o último dia da mostra, 3 grupos se apresentariam, um deles, o nosso Teatro Girandolá.

Em uma área de lazer da praça Guanambi, com quadras de futebol, espaços para andar de bicicleta, e playground, encontramos nosso público, e foi lá que montamos a nossa lona para a apresentação do Ara Pyau. Logo as crianças tomaram os bancos, observaram a montagem, e interagiram ora com os atores, ora com os objetos da peça. Eles já muito animados, ainda puderam ver uma apresentação do Tico e seus Fantoches, que abriu os trabalhos do dia com uma intervenção com brincadeiras populares.

Mais e mais pessoas chegaram, e com uma grande semi-arena, demos início a nossa Liturgia Para O Povo Invisível. Com canto e dança, convidamos os presentes para uma imersão na cultura Guarani, e em meio a grande agitação urbana, o nosso encontro com a comunidade Mbya, das Tekoas Itu e Pyau, do Jaraguá foi posta em cena, com comida e bebida tradicional, o tipá e a erva mate, e também com o cachimbo sagrado, o petinguá. E nos sintonizamos em uma outra vibração, junto aqueles que se deixaram atravessar por essa cultura, por este outro tempo. A resistência dos povos originários do nosso país, diante do massacre secular, é exemplo de luta para nós, apresentá-lo num momento como o que vivemos, de tentativa de extinção de direitos, e de tentativa de dar fim a democracia, é muito significativo. Que os indígenas resistam, que todos nós, periféricos, negros, mulheres, homossexuais, nos unamos, valentes.

Agradecemos por poder participar da mostra, por compartilhar desse dia com tantos artistas, por conhecer outras obras, e pelo carinho que recebemos. Que isso emane! Veja as fotos e saiba mais sobre esse espetáculo

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Sobre o autor

27 anos, Francorrochense, Atriz, Produtora Cultural, Co-fundadora da Associação Cultural CONPOEMA, Feminista e Co-fundadora do coletivo Baciada das Mulheres do Juquery, vegetariana, divide a casa com seu cachorro Romeo e seu gato Fellini.

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